Os dias passam iguais aos anteriores... Levanto-me, agarro-me à primeira coisa que me aparece à frente e evito a todo o custo, permitir estar desocupada mais de um minuto, porque sei que o resultado disso será o de a minha mente remoer sobre o que se passou... Quando isso acontece, o meu coração fica muito, muito pequenino aqui dentro do peito, oprimido pela culpa e pelo sentimento de injustiça... Voltei a fazer o mesmo erro, o meu pior de todos: falar sem pensar. Eu que, uso as palavras a meu bel-prazer, e que sei que com elas faço aquilo que quiser, esqueço-me muitas vezes do quanto elas podem ser igualmente belas e traiçoeiras... Se me perguntarem: "Qual foi o teu pior erro até hoje?", ou "Qual a coisa que menos te orgulhas de ter feito?", a minha resposta será sempre a mesma: "certas coisas que disse e que não devia ter dito". E este erro repete-se sistematicamente como um terrífico ciclo vicioso... Quando tudo parece estar finalmente nos eixos, pronto! Lá tenho eu que abrir a boca para sair aquilo em que eu estou enterrada neste momento: merda! Eu falo tantas vezes sem pensar, e nesses momentos apesar de me aperceber daquilo que estou a dizer (porque se há coisa que eu não acho que seja é parva!), não consigo parar, sendo a minha ira uma via de fuga para despechar todas as frustações que têm vindo a ser acumuladas até ao momento... Com as palavras, eu demonstro simultâneamente o meu melhor e o meu pior... Porque é que eu tenho que falar sem pensar? Eu que consigo ser tão calculista quanto emotiva... Eu que tanto consigo fazer uma análise sentimental do que se passa à minha volta, como uma análise fria e crua... Porque é que eu tenho tanto que ser de extremos?
E a culpa... Oh sim, essa corrói-me por dentro, porque já não é a primeira vez que faço estes erros... E só sei que tenho medo de não o conseguir evitar, se bem que seja cada vez menos frequente. Só que por outro lado cada vez magoa mais os alvos do meu descontrolo.... Tão mau quanto a culpa é o sentimento de injustiça... Porque por mais indecisa que eu possa ser, quando quero algo, não descanso até o ter... E quando eu peço desculpa, nunca o faço sem antes ter pensado bem, sem estar realmente arrependida, sem me ter tentado pôr primeiro no lugar dos outros... Sou muito orgulhosa... Mas admito os meus erros, e não gosto de me sentir humilhada ao fazê-lo... E acho que pessoas que gostam umas das outras, se desculpam mutuamente... Magoei e estou magoada... Talvez não tenha razões para isso, mas é o que eu sinto. Não vou tentar fazer mais nada, porque parece que as minhas tentativas só trazem piores resultados, mas "mais vale uma tentativa falhada do que nenhuma tentativa"...
Perdoar é mais díficil (apesar de quando eu o faça nunca mais guardar rancores, razão pela qual eu demoro sempre algum tempo a fazê-lo), por isso é que eu gosto de ser a má da fita, porque é muito mais simples para mim admitir que errei e dizer a mim mesma: "és uma merda!", do que admitir que possam ter errado para comigo ou terem sido injustos... Porque infelizmente às pessoas que eu adoro, não consigo sequer pensar admitir que possam ser uma merda, porque por mais coisas estúpidas que eu possa dizer nos meus momentos irados, elas são tudo para mim e eu de certa maneira adoro-as mesmo no verdadeiro sentido da palavra, ligado à adoração, por outras palavras, venero-as! Admiro-as, faria qualquer coisa por elas... Não devo saber demonstrar muito bem os meus sentimentos, porque se o fizesse não tinha dito as barbaridades que disse, mas sei que sinto e só tenho pena é de acusar os outros de serem frios ou injustos para mim, quando eu nem sequer consigo demonsar o que sinto, por mais genuíno que sejam os meus sentimentos...
Enfim, sinto-me muito melhor agora, depois de ter desabafado para o "papel"... Acho que pela primeira vez neste últimos contorversos dias, fui sincera comigo mesma!
Já não me sinto nem uma vergonha, nem humilhada, nem que me arrancaram a dignidade... Sinto-me limpa. Espero que daqui para a frente tudo seja melhor... Por agora, vou apenas esperar.